capitalismo, Filosofia, frança, francês

Da série citações (republicado): Gilbert Simondon

Este é o último dos três textos que tinham ficado por republicar, oriundos do antigo blog.

gilbert simondon caminha na grama

Jusqu’à ce jour, la réalité de l’objet technique a passé au second plan derrière celle du travail humain. L’objet technique a été appréhendé à travers le travail humain, pensé et jugé comme instrument, adjuvant, ou produit du travail. Or, il faudrait, en faveur de l’homme même, pouvoir opérer un retournement qui permettrait à ce qu’il y a d’humain dans l’objet technique d’apparaître directement, sans passer à travers la relation de travail. C’est le travail qui doit être connu comme phase de la technicité, non la technicité comme phase du travail, car c’est la technicité qui est l’ensemble dont le travail est une partie, et non l’inverse.

Du Mode d’Existence des Objets Techniques, p. 241

“Até hoje, a realidade do objeto técnico ficou em segundo plano, atrás daquela do trabalho humano. O objeto técnico foi considerado através do trabalho humano, pensado e julgado como instrumento, coadjuvante, ou produto do trabalho. Ora, deveríamos, em favor do próprio homem, poder operar um retorno que permitiria àquilo que há de humano no objeto técnico aparecer diretamente, sem passar através da relação de trabalho. É o trabalho que fdeve ser conhecido como fase da tecnicidade, e não a tecnicidade como fase do trabalho, porque é a tecnicidade que é o conjunto de que o trabalho é uma parte, e não o oposto.

Anúncios
Padrão
barbárie, Brasil, capitalismo, centro, cidade, comunicação, crime, descoberta, desespero, direita, economia, eleições, Ensaio, escândalo, esquerda, Filosofia, frança, francês, futebol, guerra, história, imprensa, Itália, jornalismo, junho, lula, modernidade, morte, opinião, paris, passado, Politica, praça, primavera, prosa, reflexão, Rio de Janeiro, São Paulo, tempo, trânsito, trem, Veja, vida

Pauta difusa e derrota, mais uma vez

Para finalmente dar meu palpite sobre o furacão que passou no Brasil nas duas últimas semanas, adotei dois princípios: pensar em termos conceituais, em vez de impressionistas, e começar do começo. Os motivos, espero, vão ficar claros ao longo do texto.

No começo, isto é, entre a porradaria geral da polícia e a primeira manifestação realmente gigantesca, a interpretação geral era de um “aqui também”. Até então, o país que realmente estava fervendo era a Turquia. Lá como cá, o primeiro vetor invocado para explicar a súbita capacidade de motivação foi o acesso às redes sociais. Ou seja, a Turquia e o Brasil seriam algo como um segundo tempo do animado ano de 2011, que teve Primavera Árabe, Occupy Wall Street, indignados na Espanha, manifestações em Israel, Chile e mais tantos outros países.

Mas eis que veio 2012, o ano da decepção: a Espanha, como o resto da Europa, seguiu com suas políticas de austeridade; na Grécia, o neonazismo ganhou terreno. No mundo árabe, os países sortudos se viram com governos religiosos e conservadores; os azarados, com guerra civil. O Occupy teve de se contentar em descobrir que não só Obama baixou a cabeça para Wall Street, como, no que tange aos direitos civis, estava na mesma linha de Bush. Derrotas, ao que parece.

Agora, 2013. Novos países entram na dança. Além da Turquia e do Brasil, Índia e Indonésia, além de, mais uma vez, os bravos chilenos, se colocam em movimento. Como sempre acontece, comparações pululam com o famoso maio de 1968, quando a greve geral francesa, somadas às manifestações dos estudantes franceses, se espalharam para o Leste Europeu, o México, o Brasil, antes de resultar em derrota e apatia.

Algo nessa comparação, porém, não se encaixa. Em 1968, o que houve de efetivo, como a greve que, sem eufemismos, parou a economia da França, foi comandado pelos fortíssimos sindicatos da época, um tempo de mobilização industrial e partidos de esquerda poderosos. Os caminhos para se chegar aos objetivos, fossem quais fossem as pautas de cada grupo social envolvido, à exceção provável dos estudantes, estavam bem traçados, até onde podiam divisar os envolvidos.

Hoje, não há nada disso. Em 2011, os árabes queriam derrubar seus ditadores. E depois? Os espanhóis queriam mandar embora o neoliberalismo… e mais o quê? Os novaiorquinos eram contra a plutocracia, como quase todo mundo. E assim por diante. No Brasil, as manifestações mais ou menos pequenas contra a cara de pau do transporte público se expandiram da noite para o dia numa maçaroca de gente despolitizada que protesta contra conceitos abstratos como a corrupção, mas não quer saber de questões concretas como… a corrupção do oligopólio do transporte. Com isso, as mesmas críticas endereçadas aos indignados e ao Occupy voltaram: as pautas são difusas, as pessoas não propõem nada de concreto. Continuar lendo

Padrão
arte, barbárie, capitalismo, costumes, descoberta, direita, doença, economia, flores, francês, greve, guerra, história, imagens, Itália, modernidade, passado, Politica, reflexão

Arte, história, política molecular

Itália, 1866.

(Senso, de Lucchino Visconti, 1952: Il Trovatore, Di Quella Pira)

Itália, 2011.

(Roma. Riccardo Muti rege Va Pensiero, coro dos escravos hebreus de Nabucco). Berlusconi presente.

Padrão
arte, cidade, cinema, comunicação, costumes, frança, francês, música, Montmartre, paris, passado, passeio, praça, primavera, prosa, saudade, transcendência, tristeza, viagem, vida

Enquanto vou fechando: Charles Aznavour

Quem já se apertou num apartamento minúsculo, oprimido pela falta de luz e pelo frio glacial. Quem já flanou entre fachadas de pedra com placas de moradores ilustres. Quem já viu minguar a conta bancária e recebeu ameaças pelo correio. Quem já passou horas procurando pelo menu mais barato do bairro para almoçar mal…

Não fica indiferente a esta canção.

“E quando, em troca de uma boa refeição quente, um bistrô qualquer comprava uma tela nossa, recitávamos versos encarapitados em volta do aquecimento, esquecendo o inverno”.

Viva Charles Aznavour (ou, se preferir, Chahnourh Varinag Aznavourian), o homem que se aposentou 14 vezes e continua trabalhando. E também, claro, protagonista de uma das obras-primas de François Truffaut, Atire no Pianista:

Então viva Truffaut também, mas fica pra próxima…

Padrão
barbárie, capitalismo, cidade, comunicação, costumes, descoberta, desespero, direita, economia, escândalo, esquerda, Filosofia, frança, francês, greve, guerra, história, jornalismo, madrid, modernidade, morte, opinião, paris, passado, Politica, prosa, reflexão, reportagem, tempo, transcendência, vida

A Internacional Digital

Deixo como isca para debates um trecho não publicado da entrevista que fiz com Bernard Stiegler, filósofo francês. A versão editada está no Valor de hoje. Transcrevi o trecho que segue abaixo porque me parece que tem muito a ver com algumas coisas que tenho tentado escrever por aqui ultimamente. (Claro, pombas, como leitor dele, muito do que ele diz me influencia.) Mas ele se expressa, naturalmente, muito melhor do que eu.

Stiegler é um dos principais herdeiros de meu autor de predileção, Gilbert Simondon. É também diretor do Instituto de Pesquisa e Inovação do Centro Pompidou (Paris), fundador da associação Ars Industrialis e professor em Compiègne, Londres (Goldsmiths), Cambridge e, a partir do segundo semestre, mais uma instituição superior francesa. Para saber mais sobre o sujeito, basta clicar nos links. Continuar lendo

Padrão
alemanha, arte, barbárie, Brasil, calor, capitalismo, centro, cidade, comunicação, costumes, crônica, descoberta, deus, direita, doença, escândalo, esquerda, estados unidos, Estocolmo, frança, francês, história, humor, imprensa, inglaterra, inglês, ironia, Itália, línguas, literatura, livros, London, madrid, modernidade, opinião, paris, passado, Politica, português, prosa, reflexão, religião, Rio de Janeiro, saudade, tempo, tristeza, verão, viagem, vida

É uma crônica, mas pode chamar de Brasil

A história do texto que segue copiado aí abaixo é, vamos dizer assim, tortuosa. Na semana passada, alguém achou na internet o conteúdo da nota de rodapé, essa da imagem, e o espalhou por aí. Achei o caso bem curioso e tratei de procurar a origem.

Resulta que era o livro de crônicas Verdades Indiscretas, de Antônio Torres. O dito Torres, autor mineiro e eventualmente diplomata, era um rival de João do Rio na imprensa carioca do início do último século. Eis uma biografia do referido. Continuar lendo

Padrão