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A classe mofadinha

Não posso deixar de compartilhar as citações abaixo, colhidas de entrevistas que fiz ao longo das últimas semanas para uma matéria sobre o consumo de cultura na classe C (a matéria saiu hoje). Elas deixam uma pulga atrás da orelha sobre o que é criar arte e cultura num país que redesenha sua pirâmide social:

Quem tem o volume de dinheiro dita as tendências. Hoje, o dinheiro está com a classe C. O que mais se vê agora são jovens louros, brancos e ricos usando ‘dreadlocks’ no cabelo. Os criadores de moda, de arte, de vestuário, de comportamento, passaram a vir de lugares que ontem eram guetos, não mais da elite.

Renato Meirelles, da consultoria Data Popular 

A arte do centro está escassa. Falta criatividade e originalidade de criação e promoção. A periferia encontrou, em diversos meios alternativos e acessíveis, uma forma de produzir, criar e promover com criatividade. Isso faz com que a arte da periferia ganhe respeito e espaço, para que os consumidores e produtores culturais se tornem capazes de pensar em novas formas de empreendimento artístico.

Marcão baixada, rapper
O ‘hype’ está em olhar o que está fazendo a classe C. A classe A está meio mofadinha e a classe B está deslocada. Não conseguem dialogar com as populações que estão subindo.  A barreira cultural está destruída. As classes abastadas dependem da nova classe média para viver. É o principal mercado consumidor e fonte de mão-de-obra. Não é mais possível fortalecer barreiras. A classe alta quer marcar sua diferença, mas essa diferença pode lhe fazer muito mal, isolando-a dos verdadeiros circuitos de produção de riqueza.
Ana Paula Kuroki e Laura Chiavone, publicitárias
Deixo os comentários a cargo de quem tenha algo a comentar.
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2 comentários sobre “A classe mofadinha

  1. Daria um olho para ler a reportagem. Como não vi isso a tempo de comprar o jornal, tenho que fuçar em alguma biblioteca que tenha isso para saber das coisas.

    Tô totalmente com você em todas essas análises de que quem não acompanhar a ascenção da Classe C vai ficar totalmente por fora do que é o Brasil.

    Mas o Brasil já tem base histórica para acompanhar a produção cultural que vem de baixo, e é bem recorrente em nossa história que a alta cultura seja feita de um diálogo com a produção das classes populares, e que os intelectuais estejam atentos para isso em busca de uma cultura nacional.

    Os grandes momentos do nacional-popular já passaram, o Partido Comunista já não é mais um fornecedor de teorias criativas ou analíticas, mas eu considero que estamos em situação muito melhor hoje.

    Em especial por que tem um time de pesquisadores alto nível das ciências humanas olhando para a cultura popular brasileira e para a produção comercial (Hobsbawm já demonstrou que estão ali as inovações mais consistentes), e porque o nível de profissionalização em produção e distribuição cultural no Brasil é hoje anos-luz à frente do que já foi em tempos passados (como os gloriosos anos 60/70).

    Na cultura, assim como na economia, o futuro sorri para o Brasil, exceto para os esnobes que não forem capazes de perceber em meio a que tipo de transformações estamos…

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    • Diego Viana disse:

      Salve André,

      Eu acrescentaria duas coisas apenas ao seu comentário.

      A primeira é que a novidade não está no fato de que o pobre produz e o rico se apropria (como aconteceu com o blues, o jazz, o rock, o rap, o samba, o choro, o raggae, tudo). Está no fato de que o pobre produz, depois caga e anda para o que o rico vai pensar ou deixar de pensar… Ele passou a ter poder sobre sua própria produção, eis o revolucionário, coisa que nenhum partido de esquerda percebe e que, na verdade, é bastante problemático para o que poderíamos chamar de “esquerda tradicional”.

      A segunda é que não se pode deixar a euforia descambar para a ingenuidade. Nem os esnobes, nem os ricos, nem as classes dirigentes tradicionais se tornaram impotentes em qualquer sentido, embora seu poder inquestionável esteja definitivamente, senão derrubado, ao menos abalado. Não consigo me lembrar de uma sociedade que tenha saído de uma estrutura rígida e sectária para “a modernidade” sem conflitos bastante dolorosos. Acredito que ainda vamos ver isso!

      Abração,

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