vida

Oito coisas e eu defunto

Cachoeira da Fumaça, Chapada Diamantina, Bahia
Enquanto estive fora, recebi um convite para um meme vindo lá do Ágora com Dazibao no Meio, do carioca Ricardo Cabral (que assina Ricardo C., talvez para esconder o parentesco com o governador. Será?). Ricardo pensa mal de mim. Acha que não vou aceitar o convite porque sou muito cabeça. Mas ele diz isso porque não me conhece. Se conhecesse, saberia que a parte do corpo que mais uso, aliás abuso mesmo, é o fígado.

Mas o blogueiro Cabral tem lá sua razão. Já fingi não ter visto uma série de memes (falando nisso, ô palavrinha detestável! Na sua aplicação bloguística, trucida o sentido que Dawkins quis lhe dar ao cunhá-la…). Mas se o fiz, foi porque aqueles eram memes “ruins”: “cinco discos que você adora”, “dez pessoas que deveriam ser empaladas” e outras listinhas que não interessam a ninguém. O meme do Cabral é um meme “bom”: apesar de girar em torno de um número, coisa inevitável em nossa época de planilhas, esse é um convite que dá o que pensar. Em outras palavras, é um convite ao diálogo entre blogueiros, entre leitores, entre blogueiro e leitor.

Chega de nariz-de-cera, vamos ao meme: seu tema são as oito coisas que tenho de fazer antes de morrer. Mas, por favor, blogueiro que quiser dar seguimento ao meme: não é uma lista banal com oito itens: “conhecer o Nepal”, “provar LSD, “ouvir Jimmy Page ao vivo”. A idéia é falar sobre o assunto. Não é trocar dados, é trocar humanidade.

Acontece que esse papo de morte é um pouco perturbador. Penso na questão e me vêm à mente várias coisas que são feitas depois dela: velório, enterro, cremação, obituário, missa de sétimo dia. Mas isso, são outras pessoas que têm de fazer pelo defunto. Mesmo que ele deixe instruções por escrito, não terá forças de obrigar os seus a segui-las. Ou seja, no meu caso, se quiserem me velar, vão velar, com a desculpa de se despedir de mim. Honestamente, tendo a crer que se quisessem se despedir, viriam abraçar meu cadáver. Me deixar deitado entre flores e moscas não é despedida, é tortura. Uma tortura tradicional, contra uma vítima indefesa e que jamais vai abrir o bico, mas ainda assim, tortura. Não estou dizendo que todas as tradições sejam más, mas essa aí me incomoda.

Sei que estou fugindo do assunto, mas não faz mal: fugir do assunto é uma delícia, gosto muito, Syd Field não manda neste blog. Agora, retorno ao mundo do meme. Oito coisas a fazer antes de morrer. Mas, puxa, é tanta coisa que quero fazer, e são todas enquanto estiver vivo! Mas só posso escolher oito, isto aqui não é uma autobiografia por antecipação. Então resolvi colocar um pouco de pimenta no assunto: vou partir de um cenário bastante assustador, mas útil. Imagino um oncologista insensível que me anuncie, na lata, meus últimos seis meses de vida. Mas é uma doença rara: meio ano vivendo normalmente e, de uma hora para outra, cair duro. Não sei como eu receberia essa notícia na vida real. Mas, nesta minha suposição, eu seria frio como Friedman: seis meses para fazer oito coisas, é isso e fim de papo. E finalmente me sinto à vontade para atacar o tema do meme.

Por mais cético que eu seja, principalmente em assuntos de vida após a morte, não consigo jogar uma banana definitiva para a posteridade. Engraçado, tenho pouca esperança no hoje, mas, bem, aos do futuro, temos de antecipar algum crédito. E creio que, para evitar a terrível desgraça de formar uma próxima geração tão medíocre quanto a atual, é preciso bagunçar as cabeças desde já; as dos bebezinhos e até as nossas. Sendo assim, sabedor da minha morte próxima, eu redigiria umas poucas páginas de uma obra cujo propósito seria resultar inacabada. E começaria assim: “Sei que as n (digamos… 10) teses que vou apresentar são horrendamente polêmicas e parecem atentar contra o bom senso e qualquer tipo de lógica. Mas estou certo de que a argumentação que as sustenta nos capítulos seguintes será suficientemente rigorosa e bem construída, e há de demonstrar com clareza a verdade do que estará exposto.” Em seguida, mais alguns parágrafos recheados de auto-elogio, mas muito bem disfarçado, para seduzir os leitores mais refratários sem passar recibo de afetação. Finalmente, as n teses (quantas eram? Dez?), enumeradas uma embaixo da outra, no melhor estilo analítico anglo-saxão. Por último, um “vamos então aos argumentos”. E acaba aí, porque o autor morreu sem poder concluir sua obra-prima, o coitado. Com isso, na minha fantasia, por gerações a fio as pessoas se ocupariam concordando e discordando, construindo provas e refutações, e teriam de sair da letargia intelectual. É presunçoso, claro, mas o cenário é meu, faço com ele o que quiser.

A segunda idéia parece coisa de gente boazinha, mas não é. Sem mais rodeios: eu devolveria meu apartamento e distribuiria minhas posses. Não é questão de ser franciscano, nada disso. “Liquidez é liberdade”. Eis aí uma divisa interessante… Quem tem posses está preso a elas. Você não é você: você é uma soma de você com sua casa, seus móveis, seus livros e discos, seu carro e suas contas a pagar. Mas quem precisa disso quando sabe que vai morrer? Com a ampulheta escorrendo, não quero passar o tempo na fila do banco.

Muito bem, liberdade conquistada, restaria fazer o óbvio: viajar bastante e torrar a tal da liquidez passeando por aí. Vamos dizer, pela América Latina, já que o mundo inteiro é demais para seis meses. Pode parecer um princípio um pouco guevaresco, talvez mesmo bolivariano, mas aí está uma leitura errada do meu projeto: quem vai morrer não tem mais tempo de revolucionar nada. Na verdade, é uma espécie de Libertadores pessoal; falando nisso, um certo número de estádios não está fora da lista de afazeres. Dar um olá para os vizinhos, pense comigo, não seria má idéia. Nada mal, terminar a vida entre os menonitas do Paraguai, os incas do Peru, folha de Coca e tudo, um daiquiri e um puro legítimo ao som de Compay numa praia do Caribe. Enfim, um pouco de prazer e cultura não fazem mal a ninguém.

Mas nem só de hedonismo vivem os moribundos, é claro. E os deslocamentos cansam, mais cedo ou mais tarde. Já mencionei a questão da posteridade, não? Pois bem: enquanto estamos vivos, deixamos sempre, talvez por preguiça, ou então por crueldade, ou ainda orgulho, uma infinidade de arestas por aparar. Muitas delas fáceis, rusgas desnecessárias, que não precisariam ter durado mais do que alguns instantes. Mas nós, em nossa estupidez perfeitamente natural, deixamos que cresçam até nos sufocar. Sou tão orgulhoso quanto qualquer um e não estou particularmente interessado em deixar um rastro de paz e alegria como legado, mas suponho que a proximidade da morte seja algo que amolece o coração. Para amainar os ódios e rancores, inventarei versões para todos os fatos dolorosos do passado, de forma a deixar em boa situação o antagonista. Mesmo que eu esteja seguro de ter razão, morto, ela não me fará nenhum bem. O que custa aliviar a consciência alheia? Puxando pela memória, só consigo pensar em duas exceções para este terceiro ponto. Gente que, por mim, pode carregar a culpa para a tumba (a deles, não a minha).

Quebrei a cabeça feito um louco e só agora cheguei à metade dos itens que quer o meme do Cabral. Oito é um número alto… puxa. Mas é preciso louvar o criador da série por não ter escolhido um daqueles números de sempre: três… cinco… sete… dez… A gente se acostuma a enquadrar o pensamento nas categorias mais banais e desnecessárias. Uma atitude simples, como essa de escapar aos algarismos cabalísticos, já é heróica. Um verdadeiro exemplo para o resto da nossa existência. O lado um pouco desconfortável é ter de inventar mais quatro coisas para fazer nos últimos meses da vida.

E, como acho que já soltei demais as rédeas da bondade (fui franciscano, fui agregador…), me sinto no direito de abrir espaço para a minha maldade. Quer dizer, maldade bem entre aspas. Trata-se muito mais de subverter algumas aberrações que se cristalizaram no inconsciente coletivo de todo mundo e, na seqüência, foram atacar a consciência individual de cada um, a ponto de muita gente desenvolver justificativas de muita complexidade para crenças que, cá entre nós, são umas enormes tolices. A essa altura, com só mais dois meses de vida a viver, sem precisar fazer planos para meu próprio futuro, sei que vou estar livre para me dedicar à atividade cruel e deliciosa de derrubar, ou pelo menos tentar derrubar, um certo número de ícones que me sobem à cabeça. Isso que venho de dizer pode parecer enigmático, e a idéia é essa mesmo. Estamos tratando de um futuro hipotético, em que não me desviaria de nada mais importante o trabalho de apontar charlatães, escarnecer de conceitos, sabotar monumentos e assim por diante. Não pense, por favor, que sem a perspectiva da morte eu seja um conformista, preguiçoso conservador. Simplesmente sou obrigado a expor meus argumentos com parcimônia e prudência, tentando trazer as opiniões e espíritos para o meu lado sem assustá-los e pô-los em fuga, conforme ensinou o velho Sun Tzu. Se hoje preciso ser sedicioso o quanto der, à beira da morte poderei escancarar meus propósitos mais disfarçados.

Muito bem, eis cinco coisas. A sexta será um escorregão na fraqueza. Nosso mundo nos oferece todo tipo de opções imediatas que, se somos preocupados com o longo prazo, evitamos, recusamos, tentamos ao máximo escapar. Longo prazo? Não para alguém que já prepara as malas para o encontro com a morte. Conclusão: limites para quê? Nas poucas semanas em que meu sangue ainda circularia, teria de aceitar ser transformado em laboratório. E se acaso, certa vez, eu passasse dos limites, problema nenhum: o pior que poderia me acontecer seria a morte. Mas, convenhamos, isso não representaria nada em termos de trade-off. Ainda algum cretino poderia me acusar de eutanásia, mas que então me denunciasse e mandasse atirar no xadrez meu cadáver. Irônico, não? Pergunte a algum cronista sóbrio como quer terminar a vida e ele responderá: doidão!

Muito bem, das oito coisas que me pediu o sobrinho do governador, faltam só duas. Para me livrar da tarefa de maneira cretina, mas eficaz, eu poderia dizer, não inteiramente desprovido de razão, que a última seria morrer, e a penúltima, preparar a morte. Se eu fizesse isso, quem chegou tão longe na leitura me lincharia com certeza. Mas o que vou fazer, afinal, não chega a ser muito diferente. Minha sétima atitude pré-“bater as botas”, a ser tomada poucos dias antes da hora fatídica, seria voltar ao médico, fazer novos exames e me certificar de que é isso mesmo, ele tinha razão, mais alguns dias e acabou para mim. Imagine o pandemônio que seria descobrir uma cura milagrosa à beira do fim, depois de me desfazer dos meus bens, prometer argumentos que não posso expor, dissipar os últimos fundos numa viagem interminável, oferecer em presente a meus desafetos uma consciência tranqüila imerecida, fazer novos inimigos lá onde só havia quietude e estragar o que restava do meu organismo condenado?

Nessa hora, talvez eu preferisse ouvir do doutor a confirmação da morte próxima. Ainda assim, muito me atrai a idéia de recomeçar a vida em bases inteiramente diferentes. Para além das implicações filosóficas que representaria uma experiência radical desse jeito, seria, na prática, um sopro de vida tão forte que só mesmo a morte sabe dar. Mas não posso aventurar essa hipótese neste texto: na falta de seu elemento unificador, ou seja, a própria morte, tudo que venho escrevendo perderia inteiramente o sentido. Conclusão: vou ao médico, apreensivo, mas ele balança a cabeça e diz, se fazendo de desolado: “É… isso mesmo. Seu quadro não deixa dúvidas. Dois dias e já era”. Deixo o consultório num misto de apreensão e determinação. Sei que, num dia como esse, eu suaria frio e o mundo de minha visão estaria borrado, como se eu fosse desfalecer a qualquer instante. Eu tentaria me agarrar à consciência e ao sangue frio, embora, nas veias, o sangue de verdade estivesse a um grau da ebulição. Eu tentaria me concentrar nos dois dias, não como o que me separa do aniquilamento, o nada definitivo, mas como o prazo que me concedeu a enfermidade para cumprir minha última tarefa, a já famigerada “oitava coisa”…

Dois dias é tempo suficiente para chegar à Cachoeira da Fumaça, Bahia (salve, meu pai!). Mas antes de terminar esta saga dos meus últimos dias, que já nem agüento mais escrever, e imagino que você também não suporte mais ler, preciso alertar que, como todo mundo, sou contra o suicídio. Conforme a nosso código moral, considero-o crime mais hediondo do que a covardia e a tirania. Tirar a própria vida não é justificado nem quando as convicções de nosso inconsciente, ou a mera lógica, parecem justificá-lo. Antes definhar, passar as últimas horas na dependência da morfina e ser reduzido à aparência de uma múmia anoréxica a cometer o supremo absurdo de abandonar este mundo num ato de livre arbítrio.

Por outro lado, também me parece que a morte é o momento mais importante de uma vida. É uma espécie de fecit, poioumenós, de parla, sei lá eu. Sem a morte, toda vida é uma história incompleta. Não soa injusto que passemos toda a vida buscando a dignidade, o estilo, e na hora da morte aceitemos qualquer coisa, mesmo uma bobagem como ter um piripaque no meio da rua? Acho irônico. Os bravos guerreiros do passado, afinal, não eram assim tão irracionais, ao preferir perecer no campo de batalha, jovens, mil vezes a fenecer enfraquecidos num leito de morte mal-cheiroso. É uma estranha dicotomia. De um lado, o pecaminoso; de outro, o indigno.

Eis onde entra a cachoeira da fumaça: na tentativa de conciliar o que duas partes tão diferentes de mim consideram mais apropriado. É mais do que simplesmente encontrar a morte no meio de uma beleza fantástica como a da Chapada Diamantina. É incorporar a beleza à morte de uma maneira que mesmo em vida não seria possível. Quando estive no alto desse despenhadeiro, anos atrás, veio sem ser chamado um pensamento geométrico. Tanto espaço, tanto ar, entre as escarpas em que se agarram arbustos cegos! Uma multidão de pontos de vista ocupados só com partículas de água invisíveis, tão insidiosamente densas que desencorajam até o vôo turístico dos pássaros. Um volume de ar sem olhos. Um crime.

Não digo que seja sem sentido. É que não consigo me livrar de uma certa tendência hegeliana a achar que o espírito precisa superar as mistificações da pura natureza, virgem, violenta, perigosa. Hegel poderia até estar certo, não fosse o fato de que o espírito pode muito pouco quando o corpo é tomado de vertigem. Seguindo as instruções dos guias, o espírito só pode se aproximar do abismo para espiar a maravilha se for se arrastando, o ventre contra a pedra fria e áspera. Uma humilhação para o espírito, talvez? Creio que não chegue a tanto. Ainda é o espírito que se dispõe a pôr-se na horizontal para um momento de concentração que aos irracionais não é possível. De pé, nem o mais inabalável dos brutos conseguiria evitar a tonteira e a queda. Então o espírito saudável, o que faz? Não tem pudores de meter-se de joelhos em busca da beleza que cobiça.

Entre as oito coisas a fazer antes de morrer, faço questão de incluir a própria morte. Conhecendo o destino inevitável, adquirimos um controle tão magnífico sobre a própria vida! Quantas vezes não sabotamos nossas volições mais brilhantes por medo da cortina que nos esconde o futuro e, no futuro, a idéia vaga que nutrimos da morte, única face assegurada da existência! Será que o melhor exercício do bem viver não seria convencer-se de que a morte está próxima, muito próxima? Deixo a questão aos autores de auto-ajuda. Quanto a mim, imagino algumas despedidas, dois ou três goles de cachaça para dar coragem, uma longa inspiração profunda de ar puro, impregnado de pólen e, quando o guia não estivesse olhando e não pudesse me impedir, o salto, tão distante quanto desse, naquele vazio cheio de atmosfera e paisagem. Seria uma queda louca, alucinante, infelizmente curta. Eu veria coisas que ninguém viu, de uma maneira que ninguém imaginou.

E aí, terminaria tudo. O ideal seria ter a crise que de qualquer jeito me mataria, o mais próximo possível do fim do percurso. Que frustrante, não, tombar logo depois do impulso? Minha queda pela Chapada seria como a de um saco de beterrabas. Mas o mais provável seria nem sofrer o ataque: morrer quando o corpo desse com o chão, pesado e moído. Aí sim, podemos dizer que houve um suicídio, uma eutanásia, um ato ilícito, um horror. Mas se forem buscar meus restos, teriam dificuldade em determinar o momento do sinistro, então seriam obrigados a me sepultar direitinho, de preferência por ali mesmo. A morte pela queda, dizem, é instantânea. A vítima não sente nada. Os ossos são feitos em pedaços de repente e acabou. É um pensamento terrível, mas nem tanto para o morto ele mesmo. Afinal, quando minha carne estiver espalhada, molenga, sobre as rochas cobertas de limo aos pés da cachoeira, que me importarão meus ossos? Não haverá mais ninguém ali para se importar, eis uma subjetividade a ser riscada da agenda.

Fim deste texto desordenado, cheio de digressões, quase sem unidade, às vezes enfadonho, às vezes simplesmente tolo. A rigor, eu deveria ter vergonha de submeter o distinto internauta a uma provação dessas. Mas estou tranqüilo, primeiro porque sei que o internauta não se submete a nada e eu não tenho o poder de ofendê-lo; depois, porque me diverti pensando todas essas tolices sobre minha própria morte. Pois é, isso me basta. Agora, para obedecer às prescrições do Cabral, sobrinho do governador, deixo aqui minhas indicações:

Anny
Diego
Marcão
Naty
Nelson
Olívia
Rafael
Sandro

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12 comentários sobre “Oito coisas e eu defunto

  1. Mas é que eu na verdade sou quase assim sem ambições, e mesmo as coisas que eu queria fazer antes de morrer eu nem sei se queria tanto assim, e nem ficaria tão super ultra chateada se não fizesse. E porque o mundo é tudo muito grande, e o tempo é todo tão infinito, e tudo são todas as possibilidades a cada instante, que pensar no que se deve fazer ou não só me deixaria ainda mais (do que o meu estado natural de ser) angústiada e paralisada. E então eu acabaria não fazendo nada, anyway. Uma lista dessas se transformaria muito fácil em lugares que eu gostaria de conhecer, só para estar, e olhar para cima, e pensar “olha só, estou aqui”. Essas cidades cheias de passado sempre são as que mais encantam, não?

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  2. Pingback: Oito coisas a fazer | Entretantos

  3. Diego, você é mesmo uma peça! Ô teimosia, idas e vindas, resistência e desejo, né? E o salto final, tendo antes falado horrores do suicídio? Lembro de ter escrito duas coisas que de certa forma conversam com esse teu final (e não o do texto): uma aludindo a um suicídio lançando-se ao vazio, outra ao salto do alto de cachoeiras. Auto-jabá? Vá lá que seja, mas é sobretudo pretexto para mais conversa.
    De tudo, só não gostei de ser sobrinho do governador. Além de supor que tenho quase a mesma idade dele — na faixa dos 40 e algo —, passo a léguas do seu partido — aliás, partido é pouco, o PMDB é pulverizado mesmo!
    Do Cabral pai eu até gosto. Não me incomodaria se fosse meu tio, ainda que eu esteja satisfeito com os que tive.
    Abração,
    Ricardo

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  4. Que legal! Gostei. Por coincidência fiz um post recentemente sobre o número 8 e ele não é assim tão “neutro” como vc diz… Enfim, embora não tenha sido convidada a participar (o que agradeço, by the way, porque tb não gosto dessa história de memes), vou fazer minha listinha lá no Consulta. Adianto que já fiz muitas das coisas que eu precisava ter feito antes de morrer. Aliás, estou quase pronta.

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  5. li com interesse talvez mais com curiosidade, tenho 84 anos, a morte já me pisca o olho, mas não fique triste por mim antes do tempo. Durante a minha vida rocei dezenas de vezes na dona morte, escapei por muitos trizes e vi muitos falecerm na minha frente, a morte não me assusta, bom nada de bravata, sou existencialista portanto morto morto ficarei. Confesso que vou partir frustrado, gostaria de deixar como legado minha lembrança da Europa entre guerras, da cultura da época só como exemplo de elegância, deixar memória da minha vida renovada no Brasil e aconselhar a todos: conheçam seu País. A geração de hoje me assusta, pouca cultura, pouca educação (comportamento), pouca elegância no falar, etc. etc

    abraço

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  6. Diego, não adianta, você é cabeça sim. E é elogio, embora você pareça não concordar muito…

    De tudo o que escreveu, só não gostei de ter me colado o parentesco ao governador do Rio, ainda por cima como sobrinho. Devo ser quase da mesma idade dele (quarenta e algo), e estou anos luz distante do tal do PMDB, partido dele! Do pai dele até que gosto, não me incomodaria que fosse tio meu, ainda que esteja satisfeito com os tios que tive.

    Por último, as tuas reflexões sobre o suicídio e a morte me fizeram lembrar de duas coisas que escrevi lá no Ágora: um texto chamado “Epílogo” e outro chamado “Sobe” (Tem uma coluna à direita chamada “Textos velhos; gosto deles”, onde você os encontra). Mais do que auto-jabá, é perspectiva de mais conversa sobre o tema.
    Abraço, contente por você ter topado a empreitada,

    Ricardo

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  7. Oito coisas a fazer antes de morrer, mon ami?

    Não sei o que faria, mas creio que algumas se aproximariam daquilo que você escreveu, como as auto-experiências farmacológicas…

    Meu ideal de morte é mais ou menos como aquele do Rémy, do filme “As invasões bárbaras” (Denys Arcand). Gostaria de morrer olhando para as montanhas de Minas. De preferência, no Parque da Serra da Canastra, talvez a paisagem mais deslumbrante que já vi. E, depois, podem me jogar no São Francisco, que nasce por lá. Mas tudo isso já não teria importância. Como diz Fernando Pessoa, “já não quero ter preferências para quando não puder ter preferências.”

    Grande abraço e salve o Flu na Libertadores!

    Lelec

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  8. Opaperaêcaceta! Eu estava entendendo tudo até a ultimíssima linha, quando vi meu nome. Vou ter que escrever a respeito? Beleza! Beleza! Dá pra ser 80 coisas? Ou oitocentas? 🙂 Ok, oito. Vou só acabar de me recuperar da última abdução (só pode, leio seus textos assim que pipocam no Reader e não havia lido este – adorei o título de cara! – até hoje!) e dano as oito coisas lá no Sempre Algo a Dizer.

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  9. Lindíssima esta tua descrição:

    “Tanto espaço, tanto ar, entre as escarpas em que se agarram arbustos cegos! Uma multidão de pontos de vista ocupados só com partículas de água invisíveis, tão insidiosamente densas que desencorajam até o vôo turístico dos pássaros. Um volume de ar sem olhos. Um crime.”

    Tema interessante este, o da morte.
    As únicas coisas que peço mesmo são: estar consciente e sem dor nos momentos que antecedam meu último suspiro; e que isso se dê na aurora (para mim, o momento da mais linda luz e da mais divina atmosfera), para que eu possa ver o último nascer do dia.

    Das coisas que faria, certamente, estaria viver sem medo ou pudor algum as sensações de meu corpo, não pela farmacologia, nem pela gastronomia, mas pelo sexo e pelo afeto e, muito provavelmente, como vc., eu me veria tentada a fazer o que, por teimosia e convicção ‘filosófica’ evito toda a vida.

    beijo,
    d.

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  10. Pingback: Anátema | Para ler sem olhar

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