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Nem todos somos obscurantistas

Está mais do que de parabéns a provável nova ministra do STF, Carmem Lúcia Antunes. Finalmente uma voz sábia no meio de uma multidão de malucos e aproveitadores!

Contextualizando: O crime organizado de São Paulo demonstrou ser muito mais organizado que o governo. O PCC demonstrou saber muito bem quem é Claudio Limbo, ops, desculpa, falha minha, Lembo, mas em entrevista para a televisão Claudio Limbo, ops, desculpa, falha minha, Lembo confundiu a sigla PCC com CCC (Comando de Caça aos Comunistas, com 40 anos de atraso), PCB (que virou PPS, governador), Pó pô pó e qualquer outra coisa semelhante. A população, tremendo de medo, reagiu como sempre: pediu sangue! Sangue! Sangue!, deixando bem claro que o sangue é “dos bandidos”, seja lá quem forem, porque já escorreu demais o sangue de policiais e “civis” (coloco civis entre aspas porque todos os envolvidos são civis, talvez não a PM, mas nem eles são verdadeiramente militares. Até os bandidos são civis, embora estejam armados. Já tem gente se referindo a eles como um exército, e isso é perigoso).

A classe média atacou “os direitos humanos que só defendem os direitos dos bandidos”. Não sei bem que direitos humanos são esses que defendem uns e não outros, mas em todo caso… Pediram a volta dos esquadrões da morte e do coronel Ubiratan, numa estranha matemática que acredita que depois dessas experiências de carnificina e barbárie a violência no país tenha caído, apesar de todas as estatísticas que mostram o contrário.

Resumindo: a cidade quer voltar à Idade Média.

Mas em Brasília a coisa deveria ser diferente. Espera-se dos comandantes da nação que se sentem e busquem de fato soluções. O reforço da inteligência policial, a organização dos presídios que impeça a mistura de ladrões de galinha até então inofensivo com verdadeiros professores de criminalidade, o investimento em capacitação profissional para jovens do subúrbio e assim por diante. Mas o que vemos? Discussões inócuas sobre obrigar operadoras de celular a instalar embaralhadores (elas não vão fazê-lo e o governo não vai fiscalizar, exatamente como foi em 2001 e 2003), pena de morte, força de segurança nacional e assim por diante.

Eis, porém, que do meio do deserto de cérebros surge uma voz destoante. Enquanto Campos Salles, ops, desculpa, falha minha, Alckmin culpa Lula (preciso arrumar um apelido pra esse também), Lula culpa Alckmin, Garotinho dança cancã e Delfim Netto sai da Arena pra ir pro MDB (guardadas as devidas proporções), de repente a voz melodiosa de uma senhora distinta e aparentemente ainda sã, apesar de já estar em Brasília, nos traz um pouco de consciência.

“É preciso saber distinguir Emoção de Razão. E o Direito é Razão. É preciso Razão para garantir segurança permanente à população.” Perfeito, juíza! Finalmente alguém abre a boca para defender a razão, e não o ódio puro e simples! Ela se referia ao que o excelentíssimo, brilhante e, segundo a avaliação impecável do Lula, incorruptível ministro Marcio Thomás Bastos (não confundir com o movimento do Basta!) chamou de “legislação do pânico”, no que por sinal ele estava certíssimo.

Só quero ressaltar uma coisa: tudo que se faz no Brasil é uma espécie de “legislação do pânico”. Os projetos só saem do pingue-pongue entre Câmara e Senado quando um evento desse porte faz a bola bater na rede. Depois as pessoas estranham que os presidentes governem via Medida Provisória…

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4 comentários sobre “Nem todos somos obscurantistas

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